Tema: Pecado

Alegremente chamo por ti
Quero a embriaguez do cheiro
Cansar-me do toque
Inundar-me de nós

Quero o banquete do pecado
A infinita vontade
Meditadora de sede
Que germina sem ser pedida

Chamo pelo real
A devoração imaginária
O fervor sem decreto
Enevoado pelo querer

Cláudia Luz

(14-04-2010)
Tema: Pecado

O pecado morre pelo defeito
Quando as almas se fundem
Em imagens lúgubres
Poses imaculadas de alimento
Que moldam a origem
De lembranças ressequidas

Drásticos são os aventureiros
Que descem do além visto
Quando os fugitivos se desfloram
Na inocência bem-aventurada

Deslumbrantes dormem unidos
Após imperfeição lânguida
Quando o sussurro calou
E sonhavam sorrindo

Cláudia Luz
(12-04-2010)
Tema: Pecado

O fruto nem sempre é proibido
Consola os que dele se alimentam
Preenche o vazio aberto
Faz corar os incrédulos
Reflecte a vontade de viver

O pecado é o fruto permitido
Arrebata os corpos sedentos
Doidos pela vontade
Rindo das orbitas
Criando imagens de vida

Cláudia Luz
(08-04-2010)
Tema: Pecado

Ele obriga-nos ao gesto
Deleita-nos com o cheiro
Faz-nos crer nos fervores
Pica-nos com o fogo
Suplicamos mais
Pedimos sorvos quentes
Clamamos por ele
Dizem que se chama Satã

Cláudia Luz
(05-04-2010)
Tema: Pecado

Explodem pecados
Junto dos sentidos
Crescem lágrimas
Nos túneis do mar
Em sinistras branduras
De sombras abertas
Da solidão rasa
Quando lasciva versa
Em gastões marialvas
Sopros frios
Cavalgando em sons feridos
Que clamam repousos
Porque o corpo já não acoberta
Os quereres desejantes
As designações humedecidas
Frescas de sono

Cláudia Luz
(02-04-2010)
Tema: Pecado

Estávamos parados
Quando andámos
Cruzámos cheiros
E sentimo-nos

Fomos rápidos no olhar
Profundo e quente
Como o primeiro toque

Parámos para memorizarmos
E ficámos estáticos
Como se tudo cristalizasse

As palavras eram mudas
Compreendíamos a fala
E foi ali que o pecado iniciou

Cláudia Luz
(30-03-2010)
Tema: Pecado

Arde o querer
Mas entregar-me dói

Aspiro o teu corpo
Cravado no pecado

Percorro a alegria
E resplandeço na luxúria
No furor da crença
De um dia sentir
Fechado na mão vazia
No ar rodopiante
Largo e feliz
Na língua que se força
No prolongamento das vagas
Do sopro trémulo
Que dança sozinho
Em cavalgadas breves
De sinopses veladas
Sazonalidades perdidas


Cláudia Luz
(29-03-2010)
Tema: Pecado

Queremos amar?
Mas quando?
Dizem que para sempre
Mentirosos!

Calem-se os silvos
Os uivos convertidos
Não se enganem os serenos
Que buscam os bem-quereres
Digam-lhes que acordem
Que não curvem os poros
Escravos inocentes
Do crédito do amor

Cláudia Luz
(28-03-2010)
Tema: Pecado

Quando gostamos
Crescemos na gula
Rondamos o prazer
Remexemos os sentidos
Aspirando a luxúria
Cega e redonda
Crepitante

Cláudia Luz
(28-03-2010)
Tema: Pecado

O arfar é ruidoso
Cresce coma vontade
São gritos de demência
Desvanecendo-se em aromas
De bocas e beijos dormentes

Amolecem-se os corpos
Em recônditos prazeres
Onde fumega a volúpia
Inebriante e casta

E reina o pecado
Límpido e majestoso
Sempre profano

Cláudia Luz
(27-03-2010)
Tema: Pecado

Veste-se a caverna do pecado
Rasga-se a vontade
E brotam virtudes
Onde o amor se contradiz
E os amantes se unem
Como ímpios reluzentes
Implacáveis no ritmo
Gozam as índoles
Em letargias inflamadas
Sagazes essências
Forjadas em disformes odes
De loucura furtadas
Eternamente queridas


Cláudia Luz
(25-03-2010)
Tema: Pecado
Existimos do pecado
Suspiramos por tormentos
Clamamos queixumes
Dos corpos intratáveis
Sedentos de benfeitorias
Ansiosos de maledicência
Sobranceiros ao fecundo
Crentes ufanos
De opróbrios venenos

Cláudia Luz
(25-03-2010)
Tema: Pecado

Desmentir o furor
As vontades de formosuras
Inquietudes disformes
Tormentos soluçantes
Que abafam amores
Em desventuras impacientes
Conveniências pecaminosas
Guarnecidas com exuberâncias
De temperos
De vícios
De agonias
De felicidades

Cláudia Luz
(25-03-2010)
Tema: Pecado

É pecaminoso não te amar
Não correr em ti pelo pecado
Aniquilar a soberba
Glorificar o ser perfeito
Honrar a luxúria

Cláudia Luz
(24-03-2010)
Tema: Pecado

As virtudes ofuscam
Expõem os males herdados
Deleitosos ares luxuriantes
Que penetram no mar da pele
No colo volumosos que lateja
Quando o voo molesta
Aniquilando o desmaio
Na loucura velada

Cláudia Luz
(23-03-2010)
Tema: Pecado

Avarentos chamam impulsos
Azedos domínios
Rangem esperanças
Invejas despóticas
Num cárcere infame

Semblantes venturosos
Que choram lamentações
Em fervores lôbregos
Da alma impura
Coando feridas tentadoras
No delírio enfurecido
Que acalenta o desengano
Das ninfas pérfidas
Quando os hinos medram


Cláudia Luz
(23-03-2010)
Tema: Pecado

Resistir à luxúria
Sórdido pensamento

A fraqueza acalenta
Faz ganir os invejosos
Escabrosas fúrias
Velam pelo prazer
Fértil existência tiranizada
Que os míseros afagos gasta
Aos génios do corpo
Sobranceiros às leis dos crentes


Cláudia Luz
(23-03-2010)
Tema: Pecado

Amava-se
A si e a mais ninguém
Para quê amar outro
A perfeição nascera em si

Contornos de vontades
Cresciam ao olhar-se
Brotavam quenturas interiores
Que não arrefeciam em granizos

Mirava quem passava
Tentava castrar sentimentos
Semeava gostos por seres
Mas no fim
Só a soberba

Cláudia Luz
(23-03-2010)
Tema: Pecado

A gula por ele
A vontade do pecado
Matava-a longamente
Queria cheirá-lo
Queria bebê-lo
Tê-lo

Na miséria do ócio
Sonhava com a avareza
De possuir o corpo
De consumi-lo
De transpor o limite
No fim a volúpia
De si

Cláudia Luz
(23-03-2010)
Tema: Pecado

Chamo os prazeres
As vontades clementes
Paixões semblantes
Capazes de corar petizes
Desassossegos ambicionados
Fruto do tormento
Que adoça a vivência

Cláudia Luz
(21-03-2010)
Tema: Pecado

Ser pecador
Relembra a humanidade
A divindade natural
Clama por prazeres
Pelos gestos cativos
Pela vibração do sangue

Cláudia Luz
(21-03-2010)
O fervor do beijo
Aniquila a liberdade
O anseio por ter
A vontade inteira
O desejo que queima
Galopando para o abismo
Quando o extremo é alcançado
A recompensa cresce no alívio
A brandura ingrata impõe-se
E morre o ardor
Que sereno aguarda por outra vez

Cláudia Luz
(14-03-2010)
O desejo findou
Nasceu o luto
Não mais vontades
Prolongue-se o querer
Os tremores da sensação
Castigue-se o profundo sentir
Morto sem pejo
Aspire-se o negro
Deslumbrante no toque

Grite-se pela audácia
De querer o morimbundo
Nascido dos aplausos
Lambido
Lacrado
Mantido em salmoura
Febril viuvez que agrada
Recordada em afagos

Cláudia Luz
(12-03-2010)
As carícias elevam-se
São fingimentos febris
Éteres convalescentes
Acalentam o vaguear
Numa vida expectante
Da vontade do querer
Que finda sem espectadores
Que mata que dela vê
E faz vibrar quem dela precisa
Em delírios soltos

Cláudia Luz
(12-03-2010)
Sonolentos os votos
Que quebram friorentos
Jóias de pele
Beijos de timbre
Mostram como o desejo aquece
Em morfinas picantes
De frenesins de ócios
Mostram quão baço é o querer
Quando a nostalgia engrandece

Cláudia Luz
(12-03-2010)
Tenho medo do desejo
Da crueza da sombra opaca
Do querer perdurar
Do desabafo cálido
Que sepulta os sentidos
Mortos, prostrados
Manchados de volúpias
Endoidecem juntos
Transpiram odes
E vibram valsantes

Cláudia Luz
(11-03-2010)
Encerro-me no desejo
Não posso recordar, sonhar
Mas viver
Fecho-me a ti
Perco o mundo saudosamente
Não sabes, nem ris
Achas-te imensidão
Mas quebras em farsas
Distancias medidas sem face
Triunfos sonhados em galopes
Derramam ilusões no quebranto
Castrando as vontades bêbedas
Que isolam os êxtases
E acoitam

Cláudia Luz
(11-03-2010)
Mordem-se de prazer
Transpiram vontades
E deliciam-se em pleno
São todos desejo
Turbilhões de sortilégios
Ópio de brumas
Em procissões doentias
Crescem em silvos
Unem os ouvintes
Que morrem sem som

Cláudia Luz
(11-03-2010)
O pecado nasceu
Não morrerá em vão
Enquanto o desejo ecoar
Por entre os amantes
Que viva viçoso
Que seja refugio
Manjar de corpos dourados
Floridos

Cláudia Luz
(11-03-2010)
Madalena aspira
Beijos perdidos
Deseja o sentido escaldante
Carícias delirantes
Em sofás vividos
Cheios de espasmos regulares
Instantes em turbilhão vividos
No fogo de paixões
Das escadas voluptuosas
Que galgam Manuel

Cláudia Luz
(11-03-2010)
O fumo do desejo
Nasce das chamas das sombras
Engasga os crentes
Embeleza os julgados
No lamento dos trémulos
No sentir da força vã
Parte no império da vontade
Certo da união que capacita
No sonho do criador ardente

Cláudia Luz
(09-03-2010)
Vertigens gentis
Matam o querer
Cavam lamentos
Nas incertezas
O bafo do desejo silencia
Lamenta o sopro que toca
Firmado no abismo que rompe
Mostra uma tranquilidade encharcada
Com trevos vivos
Impotentes na aragem
Que volta e fica

Cláudia Luz
(09-03-2010)
A ousadia de querer ser desejado
Cura os amantes
Brumas ousadas
Rasgadas no toque
Pasmadas com febris encantos
Dilatam a paixão
Fundindo gentes
No encoberto estar abstracto
Que perfaz o cerne do ser

Cláudia Luz
(09-03-2010)
Fitam-se como se fossem um
Querem-se sem perdão
Aspiram sombras violentas
Mas o gesto sobe na vertigem
E não se tocam
Olham
Fitam
E desejam-se

Cláudia Luz
(06-03-2010)
Bate o sangue em vapor
As veias latejam em raios
Bebem-se os amantes
Polidos vão-se
Na queda encadeada
Vítima do fluxo partilhado
Perpetuam-se em vidas
Aspirando a repetição

Cláudia Luz
(06-03-2010)
Despidos sonhavam hirtos
Na crueza do vício da exaltação
No peito compreendido que dorme
Glória queimada da vida
Junta duos quebrados
Inundam roscas do olhar
Que resistem mortas do depois
Na ânsia do desejo fresco
Da turva entrega que se senta
Na roda da migalha sombria
Fibrosa gruta da vida

Cláudia Luz
(05-03-2010)
A força da vontade fede
Nas esporas prudentes
Com névoas sedentas
Dentro dos relvados do choro
Flutuam seres enevoados
No rubor imprevisto
Do enlace da agonia
Flagrantes, cumprida
Cresce em jasmins queimados

Cláudia Luz
(05-03-2010)
Os moribundos fustigados
Levitam ocultos nos umbigos
Apodrecem na dormência
Onde a aurora brinca menina
E jazem imundas nas pombas
Que se desprendem nuas

Cláudia Luz
(05-03-2010)
O desejo sonolento
Fugaz dos amantes
Cura os males dormentes
Perpetua disfarces crus
Dos relógios erguidos da imaginação
Junta mortalhas doces
Daqueles que juntos se dão
Em perfis enluarados
Agudos e encrespados
Dos nervos que cedem aos latidos
E elevam a pólvora molhada

Cláudia Luz
(05-03-2010)
As curvas dos corpos
Minguam finas
Reluzem indiscretas
Impõem-se no equilíbrio
Do chumbo da goma oculta
Reclamam os vernizes
Belos no desejo
Forjado no uivo despido
Quando o êxtase sonha
E cresce

Cláudia Luz
(05-03-2010)
Morro por ti porque quero
Sou areia que resvala ondulada
Tremor em tensão branda
Que derrama suspiros negros
E soluços febris
Desmaiam lívidos no começo
Avançam na noite queimada
E juntos crescem até ao alto

Cláudia Luz
(05-03-2010)
Polpas cresciam dos corpos
Alimentos encantados dos rostos
Encantamentos vorazes que violam
De línguas ásperas que colam
Espelhados lumes
Que respiram sós
E chamam a loucura do desejo
Caem, límpidos…

Cláudia Luz
(04-03-2010)
Avivados correm
Engolem o tempo
Na ânsia da existência

Juntos no desejo
Separados pelo género
Em veludos tatuados, torneados
Em recônditos beijos
Que exaltam em súbitos
De colinas cheias
De luminosas ruínas
Que sobram depois do desejo

Cláudia Luz
(04-03-2010)
A lição do desejo
Arde cara nos corpos
No rasto dos enleados
Em vastidões vespertinas
Misturas únicas em duos
Nas neblinas do sonho
Que fascinados caiam em assombros

Cláudia Luz
(04-03-2010)
Flutuamos em mares turvos
Quando o verbo escurece
Vão desejos insultuosos
Prementes das escrituras
Memórias investidas de preces
Dissolvidas nos corpos
Nomeadas dos banhos
Rodam em murmúrios
E levantam os ventos
Sobrepostos nas existências
Brincam no regato cingido
Que brilham nas cinturas
Dos amantes erectos

Cláudia Luz
(03-03-2010)
Profecias ascendentes
De eunucos crentes
Nascidos das ninfas
Desejosas perfumadas
Rejubilam em cavernas flutuantes
Num futuro rasgado
Farto de memórias

Cláudia Luz
(03-03-2010)
~Soluços mergulhados
Em desejos sussurrantes
Fitam corpos reconhecidos
Vagos emergem da inércia
Onde posturas crescem sem vida
Erectos poros debruçados
Os ombros em sortilégios
Roubados a fungos perseguidos

Cláudia Luz
(03-03-2010)
Roucos de calor
Ouviam palácios sofridos
Alimentados pelos fossos
Percorriam labirintos de ópio
Desertos de mimos
Calados em fundos inúteis
Flutuantes em versos sobrepostos
Findam em tributos escuros

Cláudia Luz
(03-03-2010)
~Exaltações ocas
Brilham perdas em gumes
Sôfregos conjuntos em futuros
Concêntricos segredos fecundos
Gemidos perdidos nas trocas
Jogos arremessados do alto
Encontram-se plenos
Juntos
Investem em vaivéns
Sumos ásperos da entrega
Gumes cantados em ganhos
Desperdícios prendidos em instantes
Evocados em muros apetecidos
Trasladados em ventos interiores
Velados em galopes
Soldados em calafrios
Convergem deflagradas
No sopro julgado
Ardente encontro cíclico
Nascido escarlate
Ínfimo mergulho
Último fogo súbito
Que morre na vida

Cláudia Luz
(03-03-2010)
Cobrem-me sonhos de barro
Argilosas vontades de desejo
Engano-me leve à solta
Minto quando quero espartilhos
Canto o destino das túnicas
Transformadas em milímetros
Onde o desfecho encanta

Breves perguntas da mente
Prendem atenções erradas
Findam horários quentes
Que matam quando rejubilam

Cláudia Luz
(03-03-2010)
Somos conjuntos de corpos alados
Impõem-se pela vontade
Espelhos de crenças temporais
Finitas existências pensadas
Buscam indagações
Lêem palatos crescidos
Nas luvas do fogo
Querendo mais clarividência
Existindo sós nos dedos
Onde as unhas reinam apertadas

Cláudia Luz
(03-03-2010)
O corpo é percorrido submisso
Um pelo outro, cansados
Ambicionavam fulgores lentos
Gémeos de vontades
Crescem complacentes
E rejubilam em uníssonos
Sonoros florescentes de vida

Cláudia Luz
(03-03-2010)
Arrebate-se o desejo
As noivas crentes cedem
Ressurgem rasgadas
Mergulhadas nos braços
Despedem a meninice
Acordam sepultadas
Renascidas na condição
Perfumam o cheiro com certezas
Dádivas da natureza que se renova
Métricas ardentes da existência
Crescem na pele dos cúmplices
Enamorados videntes da vontade
Noivos agora esposos
Amantes que traficam pedidos
Incandescentes de vontades cegas
Celebram vidas como se não houvesse fim

Cláudia Luz
(02-03-2010)
Sou tua
Não hoje, sempre
Grito por ti
Cedo por ti
E quero-te, exacto
Despeço-me de mim
No furor soletrado
Do prestigio em que feliz vivo

Cláudia Luz
(28-02-2010)
Perguntas por mim?
Eu, ao longe resplandeço
Não me vês?
Só ao meu desejo!
Seremos nada
Depois do tudo
Nos templos rendidos
Nas mortalhas do corpo
Voltamos
Somos
Veneramos

Cláudia Luz
(28-02-2010)
Grito pelo desejo
Para que me irrompa
Para que suba até ao longe

Grito pelos sentidos
Que cresçam rasgados
Que regressem sem silêncios

Grito pelo extremo
Que me congele do excessivo
Que me traga desmesuras
Grito por ti!

Cláudia Luz
(28-02-2010)
Sonhei que me assaltavas
Vinhas em bravuras quentes
Querias resolver ciúmes
De imaginações forçadas

Querias verbos cheios
De veleiros que corriam em brisas
Pedias memórias inteiras
Rogavas juras contrariadas
E eu nada tinha para me assaltares
Não via as areias
Mas pressentias, antecipava
Pois no fim, a imaginação reinava

Cláudia Luz
(27-02-2010)
A castidade mata
Com ela não somos

Os mistérios brotam dos poros
E natural é escutar o que se cala
É sentir o chamado
Quando a oscilação complementa
E o pleno acontece
Cláudia Luz
(27-02-2010)
O mistério dos castos
Surge em glórias fugazes
Crê-se na glória
Anula-se a natureza pura
Anseia-se pela corrupção afastada
Num amor-próprio inexistente
Capaz de timbres sopranos
Onde breves são os minutos do corte
Quando a transição é vaga e precisa
Para no começo o vazio tudo invadir

Cláudia Luz
(27-02-2010)
Uivam as noites quando curvam
Queriam rostos transitivos
Crêem nos pensamentos das sombras
Que vomitam discursos instantâneos

Busca-se o tempo da loucura
Quando o original cintila
E despeço-me em ordens divinas
Aposentadas de gestos em farsa
Que em prazeres se ruíram
Em esfuziantes prazeres
Rendidos às artes ardis
Descontados do nome

Cláudia Luz
(25-02-2010)
Quando o amor era muito
Cresciam asas em conchas

Os beijos sanavam-se às tardes
Na confiança dos galhos

Friorentas primaveras amam sem perdão
Saqueadas das dores radiantes
Firmam abismos delicadamente
Pedem vida a quem sucumbe
As mãos em desafio dão-se inertes
Cumprem histórias breves
Dos tempos dos empréstimos cúbicos
Quando a libertação reinava soberana
Em busca dos telhados
Onde chovem sarcasmos
Brilhantes e mesquinhos
Que cantam o fim

Cláudia Luz
(25-02-2010)
Dá-me fome das sombras
Que caem dos séculos
Sob os pórticos
De milénios desastrosos
Quando eu já existia
Ferrada em labaredas cruas
Que fluíam em encantos puros

Cláudia Luz
(25-02-2010)
Suicidam-se anjos em grinaldas
Gastas e partidas de sonhos
Desafiosos são os astros
Que sábios teceram no fado

Musas sobradas cantam odes
Gritam em sons quebrados
Atrevem-se à submissão
Rumam em credos
Que acendem as chamas déspotas

Atraiçoam-nos os ponteiros
Nós folgamos em repousos alados
Onde os rumores crescem
Em auréolas penteadas
Que nasceram do cio da luz

Cláudia Luz
(25-02-2010)
A soma dos dois
Enlaça-se no vento da separação
A agonia treslouca os amantes
Que inocentes crescem no amor
Loucos tentam ser expectantes
Mas o tudo nunca trará verticalidade
Perseguido fugirá dos videntes
Lívidos em alívios s secos
Findarão

Cláudia Luz
(22-02-2010)
Aumentem a violência do gosto
Peçam palavras angulares
Tomem-se em uníssonos
Que os ângulos quebram as memórias

Cláudia Luz
(22-02-2010)
Diluem-se em mim
Todos os vultos que amei

Rápidos são os frutos do perceptível
Crentes harmoniosos da exactidão compreendida
Ficam intuitos tangíveis
Na humidade dos corpos
Caídos por terras perpendiculares
Onde explicar nada atinge
Pois ao céu já se chegou

Cláudia Luz
(22-02-2010)