Quando o amor era muito
Cresciam asas em conchas

Os beijos sanavam-se às tardes
Na confiança dos galhos

Friorentas primaveras amam sem perdão
Saqueadas das dores radiantes
Firmam abismos delicadamente
Pedem vida a quem sucumbe
As mãos em desafio dão-se inertes
Cumprem histórias breves
Dos tempos dos empréstimos cúbicos
Quando a libertação reinava soberana
Em busca dos telhados
Onde chovem sarcasmos
Brilhantes e mesquinhos
Que cantam o fim

Cláudia Luz
(25-02-2010)

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