Tema: Vida

Senhora de si
Canta aos bastardos canários
Lindos plasmas duma prisão
Que insufla os crentes
E desmonta os castos

Senhora de si
Julga ser feliz
Cantarolando a vida em surdina
Arruína o jogo da sedução
Que quente brota de sentimentos velhos

Senhora de si
Dorme na campainha rasgada
Que desmonta o apeadeiro da juventude
Lesto e sufocante dos sonhos
Sombrias distracções pregadas
Que no raiar do crepúsculo
Crescem fúnebres nas manchas
Da tranquilidade febril
Útil cansa-se inerte
Pálida impaciência da fronte
Que no gélido sentir se esmorece
Senhora de si

Cláudia Luz
(02-06-2010)

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